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As palavras que me deixam seguir adiante:
Publicado em: 13 . março . 2011
O vestibular não é, necessariamente, uma das piores experiências da sua vida, como eu tanto ouvi dizer:
O ano de 2010 seria diferente: a certeza de que aquele seria o meu ano; de que eu estava pronta para abrir mão de tudo que fosse necessário para estudar e passar em medicina; de que eu conseguiria superar os meus limites.
No início, foi fácil demais. A maioria das aulas era prazerosa e havia uma alegria em mim por estar me dedicando por completo para concretizar aquilo que tanto queria. Foi assim, até a primeira prova da UERJ. Consegui o conceito A e a felicidade era imensa, a sensação de que todo o esforço havia valido a pena.
Mas depois, ao contrário do que deveria ter acontecido, eu sentava para estudar e as apostilas não tinham mais a menor vontade de se relacionar comigo. Começava a marcar as palavras de amarelo, mas o pensamento estava em outro lugar qualquer. Eu percebia a situação em que estava e o que me confortava – ainda que não devesse – é que não era a única nesse estado.
Vieram, então, as férias. Benditas férias! Repetia para mim mesma: mas é claro que vou estudar, pelo menos alguns exercícios todos os dias à noite. Viajei e só usei as apostilas no avião; mesmo assim, só na ida. Não me arrependo, foi a melhor coisa que poderia ter acontecido. Quando voltei, já tinha quase a mesma energia do início do ano!
Exercícios, pH’s, simulados, testes. Até que as provas vieram. Eram várias, uma maratona. Chegou, então, o super esperado dia da prova de São Paulo. Foi aí que o meu mundo começou a desmoronar. Meu desempenho não foi bom, nem melhor que o do ano passado. Vi o meu futuro e tudo que tanto queria esmaecer sobre a palma da minha mão. Tive ódio do mundo, das pessoas, das palavras, das apostilas, de tudo. No meio de tanta gente, uma única pessoa entendia o que eu sentia e não dizia tudo que achavam que eu precisava ouvir. Alguém que já passara pelo o que eu sentia, como era confortante ser compreendida…
Daí em diante, tudo foi de mal a pior. O estresse, a expectativa… Empurravam-me de um precipício todas as vezes que saía uma lista de classificados e meu nome não estava lá. A vida não era mais vida, o riso não tinha graça, a natureza não era bela e o mundo inteiro se resumia à minha casa. Eu era apenas um corpo andante, chato e desanimado, sem vontade alguma de fazer qualquer coisa. E isso durou muito, muito tempo, foi uma eternidade.
A gente espera do mundo e o mundo espera de nós: um pouco mais de paciência. (…) Será que temos esse tempo para perder?
Até que um dia, enfim, na lista de espera do ENEM, meu nome apareceu como uma das classificadas para medicina na UNIRIO! Eu renasci, minha alma voltou ao meu corpo. Sorria dias inteiros, até minhas bochechas doerem, cantava pela casa e ao andar pelas ruas. A impressão que tinha era a de que todos que passavam por mim viam como eu estava feliz. Melhor ainda era perceber o quanto as outras pessoas estavam felizes por mim, dizendo que era muito merecido. Emocionante!
Depois dessa boa notícia, ainda vieram outras tão maravilhosas quanto a primeira: a aprovação na University of Houston e na University of Texas. Todas eram o resultado de um grande esforço. Parecia que tudo estava a meu favor, uma sensação boa demais!!
Apesar dos momentos de tristeza, digo que 2010 foi um ano sensacional, inesquecível. Não só pelo aprendizado acadêmico, claro, mas muito mais: pela maturidade que se ganha, pelas pessoas que se conhece, pelas amizades que são criadas, pelo conhecimento que se adquire, pela nova visão de mundo que é criada.
Eu devo tudo que tenho conquistado até hoje a vocês: pais, familiares, amigos, professores. Vocês estavam comigo o tempo inteiro: suportando minhas oscilações, preocupando-se comigo, compreendendo minhas ausências, apoiando e me ajudando de toda e qualquer maneira – com palavras, um sorriso, um silêncio, um abraço ou um olhar.
Muito obrigada!
Sei que muitos também se sacrificaram para que eu conseguisse chegar até aqui assim: incontrolavelmente feliz como estou. Por isso, todas as minhas conquistas são suas também: são nossas! Vocês são, para mim, muito mais do que possam imaginar: são o meu mundo, pessoas sem as quais “viver” não faria sentido algum. Sou eternamente grata.
Meu 2011 não poderia começar sem que eu, antes, dissesse isso. Estaremos juntos este ano também, haja o que houver. (:
Digressão
Publicado em: 09 . março . 2011
Queria explicar que, como o título sugere, o que é publicado aqui é puramente ficção – à exceção dos textos que contêm a tag “Sinceridades”.
Quando uma pessoa escreve – ou quando eu escrevo -, não é necessário que ela esteja passando pela situação narrada/descrita no momento; nem que já a tenha vivenciado. Uma das grandes belezas da escrita é colocar em prática a imaginação; fechar os olhos e tentar criar uma nova realidade.
Portanto, àqueles que realmente me conhecem, peço que não me imaginem como uma das personagens dos textos.
Autopsicografia – Fernando Pessoa
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.E assim nas calhas da roda,
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
Publicado em: 20 . fevereiro . 2011
Quando se supera a dificuldade de expor o primeiro texto, vem o receio de que o segundo não seja bom o suficiente – para quem? – … É, é preciso arriscar para que seja possível seguir adiante, mas é por isso que o intervalo entre o último post e o próximo, que seria de uns dois ou três dias, foi prolongado.
Do fim ao início
Publicado em: 13 . fevereiro . 2011
Chega um momento em que o possível é inevitável; em que é preciso arriscar para não perder a oportunidade e o impulso que surgem na hora certa. Admito que vontade não faltava, somente coragem – que ainda me é pouca.
Das poucas coisas boas que me aconteceram este ano, o incentivo de que precisava para publicar o que escrevo foi uma delas. De encontros com pessoas, a princípio desconhecidas, veio-me a sensação de que tudo que me falavam poderia fazer, afinal, algum sentido.
Este espaço surge de uma transição: do fim do que é apenas ideia e pensamento ao início do que é realidade.
Bem-vindos!
Priscilla Yumiko Fujikawa
